Discurso do Presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, na III
Reunião de Presidentes da América do Sul,
por ocasião do anúncio da Rodovia
Interoceânica
Cusco, 8 de
diciembre de 2004
Excelentíssimo
Senhor Alejandro Toledo, Presidente da
República do Peru,
Senhores Presidentes da América do Sul,
Senhores Vice-Presidentes de países da
América Latina,
Meus amigos,
Minhas amigas,
Ministros,
Meus companheiros e minhas companheiras,
A obra da Rodovia Interoceânica que o
Peru e o Brasil estão lançando, hoje, é
muito mais do que um projeto bilateral.
Estou convencido de que interessa a
todos os países aqui representados.
Mostra que a Comunidade Sul-Americana de
Nações que estamos inaugurando não é
mero exercício de retórica. É a
expressão do empenho de nossos países em
superar as distâncias que ainda nos
separam.
Esta obra, há muito esperada, sintetiza
nossa vontade de fazer da geografia
nossa maior aliada. A integração da
infra-estrutura física da América do Sul
significa não apenas novas oportunidades
de comércio e de acercamento entre
nossos países.
É também requisito para que o continente
possa inserir-se de forma mais
competitiva numa economia globalizada.
Ao nos integrarmos para dentro, estamos
também nos integrando com o mundo.
Este projeto ambicioso exige que
mobilizemos fontes inovadoras de
financiamento. O contrato entre o
governo peruano e a CAF para a
construção da Rodovia confirma o
compromisso desta instituição com a
construção da Comunidade Sul-Americana
de Nações.
De norte a sul, o Brasil está
participando de projetos prioritários
para nossa região nos campos do
transporte, das comunicações e da
energia:
- a ponte sobre
o rio Orinoco, na fronteira com a
Venezuela;
- a Hidrelétrica San Francisco, no
Equador;
- a ponte Assis Brasil-Iñapari, na
fronteira com o Peru;
- as importações de energia do Paraguai,
da Venezuela e da Bolívia;
- o desenvolvimento da região do Rio
Madeira;
- a segunda ponte sobre o rio Paraná, na
fronteira com o Paraguai;
- o corredor Bioceânico entre Santos e
Antofagasta, no Chile;
- a segunda ponte do rio Jaguarão, na
fronteira com o Uruguai; e
- a duplicação da auto-estrada do
Mercosul.
Todos esses projetos objetivam a
aproximação entre nossos países e o bem-estar
de nossos povos.
Têm ainda o mérito de atender as
populações marginalizadas e muitas vezes
esquecidas. E é essa, a meu ver, a
integração que buscamos. Um processo que
nos una e nos aproxime, mas também
distribua, de forma mais equilibrada,
seus benefícios.
Essa integração inclusiva e solidária,
que supera as rivalidades e as
desconfianças do passado, é parte de um
processo de amadurecimento político de
nosso continente.
Por meio de um diálogo intenso, em que
tem prevalecido a convergência de
valores e ideais, seguiremos trabalhando
em favor da criação de uma América do
Sul mais próspera, mais justa e,
sobretudo, mais confiante em suas
próprias capacidades.
Meus amigos e minhas amigas,
eu quero reiterar, aqui, o que já disse,
individualmente, a cada Presidente, em
todas as reuniões de que participamos. O
Brasil não é um país rico. O Brasil tem
seus problemas, como problemas tem todos
os países que estão aqui. Mas o Brasil
sabe a importância que tem a sua
participação política no processo de
integração.
E estejam certos que nós iremos
continuar fazendo todo esforço que
estiver ao nosso alcance, todas as
conversas possíveis e necessárias, todas
as viagens que forem necessárias, para
que a integração sonhada por Bolívar,
definitivamente, se concretize nos
próximos anos, no nosso continente.
Muito obrigado e
boa sorte.